Peças de capim dourado valem mais que ouro na região do Jalapão

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Artesanato surgiu no povoado de Mumbuca, próximo a cidade de Mateiros.
Produtos são feitos com a planta e sustentam centenas de famílias.

O Jalapão ocupa uma área de 34,1 mil quilômetros ao leste do estado. A região faz divisa com oMaranhão, Piauí e Bahia e abrange os municípios tocantinenses de Barra de Ouro, Campos Lindos, Centenário, Goiatins, Itacajá, Itapiratins, Lagoa do Tocantins, Lizarda, Mateiros, Novo Acordo, Ponte Alta do Tocantins, Recursolândia, Rio Sono, Santa Tereza do Tocantins e São Félix do Tocantins.

 

No Jalapão, cerrado e caatinga se misturam e o resultado é uma vegetação rasteira, composta por cachoeiras, rios de águas cristalinas, corredeiras, grandes chapadas e formações rochosas de cores e formas variadas. Destaque para as dunas de areias douradas, com até 30 metros de altura, o que lembra um deserto.

Mas não é só as cachoeiras e as dunas que chamam a atenção. A aventura das estradas de terra, onde só percorrem carros traçados, ganha outros ares no povoado do Mumbuca, a 35 km de Mateiros, onde remanescentes de quilombolas, traçam outra preciosidade tocantinense: o capim dourado.

Do capim dourado, espécie de sempre-viva da família Eriocaulaceae, a palha se transforma em peças de artesanato como pulseiras, brincos, chaveiros, bolsas, cintos, vasos, peças de decoração entre outros, que da cor do ouro brilha e ganha mercados fora do Tocantins e do Brasil.

A arte manual ultrapassou as fronteiras do pequeno povoado e é produzida em outras localidades da região do Jalapão e cidades do estado. O capim dourado só pode ser colhido entre 20 de setembro e 20 de novembro para que não entre em extinção. A colheita é regulamentada por lei que proíbe a saída do material "in natura" da região, somente em peças já produzidas pela comunidade local, visando assim a sustentabilidade ambiental, social e econômica do local.

Laurinda Ribeiro da Silva, de 50 anos, é a presidente da Associação dos Artesãos e Extrativistas do Povoado Mumbuca. Nascida no povoado, próximo à cidade de Mateiros, viu a avó costurar o capim dourado com a seda do babaçu. “Ela chamava de pingo de ouro e fazia o balaio, o porta-joias e o chapéu. Costurava com 5 cm da seda do buriti e 5 cm do capim”, lembra.

Laurinda é sobrinha de Guilhermina Ribeiro da Silva, a dona Miúda, que até antes de morrer, ensinou os descendentes a arte de tecer o capim. “Elas vendiam tudo o que elas mandavam”, lembra ela, dizendo que os produtos artesanais eram vendidos pelos homens, que viajavam para as cidades para comprar sal para o gado, comprar tecido, entre outros.
Até hoje, os homens do povoado mantêm a tradição. São eles que colhem o capim para as mulheres costurarem. “A gente não imaginava que ia ter essa fama, a gente sabia que, se fizesse, vendia.”

Fama

Com a crescente procura, foi criada há 12 anos a associação que conta com 80 mulheres produzindo as mais variadas peças de capim dourado. “Foi bom porque vivíamos isolados, colocou o pão na mesa, não sabíamos o que era fogão, gás”, conta.

A fama do capim dourado, segundo Laurinda, foi importante para o povoado que é habitado por cerca de 150 pessoas, mas está comprometendo a preservação da planta. “Hoje estamos correndo o risco, porque estão colhendo de qualquer forma.”

Além disso, ela diz que não estão voltando ao isolamento por causa do artesanato que chama a atenção de turistas. “A gente tem muita fé e esperança, mas estamos perdendo a esperança porque os políticos não veem o nosso lado, não veem o que fizemos”, observa, dizendo que carecem de saúde, infraestrutura e educação.

Apesar das dificuldades, Laurinda diz que a arte continua sendo passada as novas gerações e o segredo é colher o capim na época certa. “Tudo tem que ser na hora certa”, enfatiza, dizendo que muitas pessoas da região colhem de forma errada para vender para fora.

Sustento

Longe do povoado do Mumbuca, Gildenora Dias Alves, de 45 anos, nascida em Santa Tereza do Tocantins, conheceu o capim dourado quando ele não era 'famoso'. “Eu viajava muito para a região e na época dos festejos vinham aquelas mulheres para expor. Lembro de ter comprado uma vasilha de capim dourado.”

Mas foi há 12 anos que ela começou a costurar o capim, através da irmã Anália, que mora em Ponte Alta do Tocantins [portal do Jalapão]. “Eu vendia umas peças para a minha irmã e um dia viajei para Ponte Alta e ela me ensinou a costurar e comecei a fazer supla [de mesa], bolsa, carteira.”

A profissão de professora ficou de lado e hoje a dedicação é só para o capim dourado. O trabalho manual é feito em casa e conta com a ajuda dos filhos, mas só nas férias. Mesmo com um salário sazonal, Gildenora diz que foi positivo se tornar artesã. “Dinheiro não paga o dia a dia com os filhos, com a família. Acredito que ganhei.”

Famoso em todos os cantos do país e até no exterior, Gildenora, que vende os produtos na Feira do Bosque, em Palmas, diz que o capim dourado não é tão apreciado pelos tocantinenses. “O turista é quem valoriza, as pessoas daqui passam e nem olham. Não tem valor para a região”, ressalta, dizendo que é preciso uma maior divulgação.

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